quinta-feira, 23 de outubro de 2008

DOM BOSCO, Pai e Mestre da juventude

Vindo de uma família de pobres agricultores, órfão e pai aos 2 anos, o filho mais novo de dona Margarida Occiena, João Melquior Bosco, nasceu em 16 de agosto de 1815, num lugarejo, no município de Castelnuovo, Itália.
A situação nada fácil de vida de sua família (mãe, avó paterna e dois irmãos mais velhos, Antônio e José, respectivamente – sendo esse primeiro meio irmão do João Bosco, filho do primeiro casamento do seu pai, Francisco) obrigava Joãozinho, como era chamado na infância, a trabalhar dede cedo na roça. Garoto de vida simples amava brincar e liderar sua turma de amigos – percebe-se futuramente que esse lhe era um talento natural.
Mamãe Margarida (como era chamada por Dom Bosco – que tinha grande devoção pela mãe), embora viúva, nunca faltou com relação à educação de seus filhos e no que pode, os educou na fé cristã. João Bosco soube mesmo aproveitar o que aprendera, pondo em prática o que sua mãe lhe ensinara. Aos nove anos teve um sonho que, segundo Robert Schiélé, “(...) lhe ensinou o método que viria a usar, pois costumava resolver os conflitos a socos e a pontapés”. Ele sonhou que estava num campo aberto, onde muitas crianças brincavam e boa parte delas blasfemava contra Deus. Irritado com aquela cena, no sonho, João correu a bater nos meninos afim de que parassem com os xingamentos e blasfêmias. Ele para ao ouvir a voz de um senhor muito bem vestido com um manto banco, e com o rosto tão iluminado que o Joãozinho mal conseguia olha-lo.
O homem lhe chama pelo nome e diz que não é com pancadas, mas com mansidão que ele iria ganhar a amizade daqueles, o personagem ainda continuou dizendo que ele se pusesse ensinar sobre a maldade do pecado e a preciosidade da virtude. Após, os meninos foram ao encontro do homem que falava e que agora estava com uma senhora ao seu lado, vestida majestosamente com um longo manto, que segundo o homem, era aquela que sua mãe Margarida o ensinou a saudar três vezes. Ele ainda continuou, indicando essa mulher como mestra na missão que ele propusera a João. A mulher então termina dizendo que ele entenderá tudo no tempo certo. João acorda. Ele conta a sua família o sonho que tivera e só sua mãe não o menospreza nem hostiliza, mas lhe indaga se não é esse o sinal que mostraria que João Zinho seria um padre.
Como João tinha muitos talentos mambembes, intertia no inverno, seus vizinhos e amigos, também era muito dedicado aos estudos, ao contrário de seu meio-irmão, o Antonio, que o queria na roça onde ele acreditava ser melhor para que garantissem comida na mesa.
Decidido (e encorajado por sua mãe) a ser padre, ele aceita o pedido de um velho padre que lhe tem muito carinho, e vai morar com ele para continuar os estudo. A morte desse mesmo padre lhe traria muito sofrimento, tanto pela perda de um grande amigo e mestre, quanto pelo fim (provisório) das chances que ele tinha de estudar, já que era o padre que lhe bancava seu estudo. Agora João teria que voltar para a enxada.
Agora com quinze anos, recebe sua parte da pouca herança que seu pai lhe deixou e com isso vai retomar seus estudos, saindo de vez do trabalho rural para se dedicar ao clerical. Anos mais tarde, em Chiere, Itália, ele entra no seminário e é ordenado padre. Passa a ser conhecido como Dom Bosco.
Já como padre, ao se preparar para a missa da Imaculada Conceição de Maria, na igreja de S. Francisco, Dom Bosco vê o sacristão bater e xingar um garoto que se recusou a servir como coroinha. Penalizado com aquela situação ele acalma o sacristão e chama o menino (Bartolomeu Garelli) para rezar uma Ave-Maria. Ele sente ali sua missão ser iniciada; ele finalmente entende o sonho que teve aos nove anos de idade. E começa seu trabalho de reintegração dos jovens pobres e delinqüentes à sociedade em locais onde esses jovens aprendiam ofícios, comiam, estudavam, rezavam, chamados por ele mesmo de Oratórios Festivos.
Dom Bosco aplica, no tratar com jovens em situação de risco uma pedagogia até então pouquíssimo usada pelos padres e educadores em geral. Essa pedagogia ficou conhecida como o Sistema Preventivo. Ela se embasava em três pontos específicos que para Dom Bosco eram essenciais para formar ‘bons cristãos e honestos cidadãos’: amorevoleza (bondade), razão e religião.
O tempo passa e no Oratório os trabalhos se intensificaram a ponto de jovens serem internos na casa que D. Bosco conseguira (depois de muito trabalho e de muitos contra-tempos) e a se interessarem tanto por Deus e pela continuidade da obra do padre Bosco que o mesmo, percebendo isso decide chamar os mais interessados e iniciar uma congregação: Os Salesianos (esse nome provém de São Francisco de Sales – santo e bispo cuja vida é caracterizada pela bondade e doação pelo bem do próximo).
Para que as regras da congregação fossem aceitas, o caminho foi difícil, árduo, mas enfim foram aprovadas e, mais tarde afilia-se aos salesianos, um grupo de freiras liderado por Maria Domingas Mazzalello (santa) que foram denominadas Filhas de Maria Auxiliadora.
Com grande visão e desejo de evangelizador e com sua congregação bastante disseminada pelo mundo, Dom Bosco envia alguns missionários para o continente americano – onde também obtiveram grandes êxitos – e pouco tempo após, falece em 31 de janeiro de 1888, devido ao grande cansaço que sentia aquele homem de 72 anos, por ter passado quase toda sua vida trabalhando, estudando, se sacrificando, dia após dia, em prol dos jovens.
Deixou seu legado e hoje, os Salesianos de Dom Bosco estão presentes em quase todo o território mundial.
Em 1934 (1° de abril) é canonizado e conhecido como o santo pai e mestre da juventude, título dado a ele pelo falecido papa João Paulo II.